Comer é um dos atos básicos para a sobrevivência. Mas, ao longo do tempo, o entendimento sobre a alimentação passou por transformações.
Além de ser necessária, do ponto de vista fisiológico, a alimentação ganhou um componente de prazer, reforçado pela busca das pessoas por vivenciar experiências marcantes.
Essa mudança na relação com a comida está no centro do Food Design, conceito que surgiu na década de 90, na Europa, e tem impacto, hoje, na gastronomia e na indústria de alimentos.
O Food Design é considerado uma categoria do design destinada aos produtos alimentícios, além de ser um processo criativo que apresenta ao consumidor novas experiências.
O segredo do conceito está nos cinco sentidos. Francesca Zampollo, referência da área e autora do livro “Food Design Thinking: The Complete Methodology”, afirma que os alimentos são os únicos materiais capazes de estimular paladar, tato, olfato, visão e audição.
A partir de agora, vamos conhecer mais sobre o Food Design e ver exemplos de aplicações do conceito nos negócios.
Food Design: o que é?
Podemos considerar o Food Design como um processo que une criação e estratégia para levar aos consumidores experiências marcantes, além, é claro, do alimento em si.
Esse é um conceito que não se relaciona apenas com a criação de alimentos ou novos pratos, mas também com as embalagens, espaços, apresentação e conservação.
Através do Food Design, empresas podem transmitir a visão e os valores da marca utilizando o conceito de um produto.
Francesca Zampollo, em seu canal no YouTube, criado para discutir o conceito, defende que o Food Design se baseia em quatro pilares. São eles:
1 - Comida
A especialista afirma que a comida representa um quarto de um projeto. Esse pilar considera os tipos de alimentos, origens, aspectos nutricionais, preparação, distribuição e como a comida interage com os sentidos.
2 - Sociedade
O segundo pilar do conceito representa o impacto que os alimentos têm na sociedade, considerando questões como classe, valores, crenças, necessidades, comportamentos e relações ética.
3 - Tecnologia
O Food Design também leva em conta a tecnologia necessária para projetar algo. A manufatura, os materiais e os softwares são fatores que caracterizam esse pilar.
4 - Meio ambiente
Por fim, o conceito é sustentado pelo meio ambiente e questões éticas relacionadas aos animais e as plantas. Ainda são considerados fatores como desmatamento, poluição, uso de recursos naturais e geração de resíduos.
Categorias
Hoje, o Food Design é dividido em seis categorias:
Design com comida
Abrange a arte culinária realizada pelos chefs de cozinha. A categoria enxerga a comida como um objeto do design, levando em conta aspectos sensoriais como sabor, cor e textura.
Design para alimentos
Categoria que se aplica aos materiais que fazem parte da preparação, distribuição e comunicação dos alimentos.
As embalagens fazem parte desse grupo, já que são responsáveis por acondicionar e comunicar o produto, tornando a marca reconhecida.
Design de espaços alimentares
Grupo que abriga todos os fatores envolvidos na criação de espaços alimentares, como restaurantes e lojas.
Entre os pontos que fazem parte dessa categoria, estão materiais, cores, iluminação, uniforme e atendimento.
Produto alimentar
Essa é a categoria dos projetos de alimentos produzidos em escala industrial e que estão presentas nas prateleiras dos supermercados, como chocolate e macarrão, por exemplo.
Projeto de serviço de alimentação
É a aplicação do design de serviço nos alimentos, que leva em conta as interações que ocorrem ao longo do tempo, entre elas, as metas e resultados.
Eating design
Considerada a categoria mais complexa, se relaciona com áreas como a sociologia e a antropologia.
Basicamente, o eating design aborda a forma como as pessoas interagem com os alimentos, especialmente no momento das refeições.
Food Design na prática
Como já vimos, mais do que o alimento em si, o conceito de Food Design pode ser aplicado à forma, embalagens e, até mesmo, na disposição dos produtos.
Esses e outros aspectos influenciam na decisão de compra do consumidor, despertando sensações de prazer e bem-estar.
Pequenas empresas de alimentação podem utilizar esse processo criativo, por exemplo, para:
- Melhorar a configuração dos alimentos para facilitar o consumo, inclusive, adaptando as receitas para proporcionar melhores experiências. É isso o que acontece, por exemplo, com os formatos de macarrão, que são pensados para reter mais molho;
- Aprimorar a estética, criar funcionalidades e transmitir valores de uma marca a partir de elementos visuais e sensoriais, como formas, espaços, linhas e cores;
- Projetar embalagens pensando nas necessidades dos consumidores, que vão além das funções básicas de proteção e armazenamento dos alimentos. As xícaras da marca italiana “Cookie Cup” são feitas de biscoito e podem ser consumidas pelos clientes depois que o café é tomado.
Essas são apenas algumas aplicações do Food Design para os negócios. É possível encontrar muitas outras maneiras de utilizar o conceito no dia a dia.
Impactos no mercado
O Food Design está alinhado às mudanças nos hábitos das pessoas, que deixaram de comer apenas para sobreviver e incorporaram o prazer a esse hábito.
Hoje, os consumidores escolhem um produto ou frequentam um restaurante buscando experiências únicas.
Nesse sentido, o Food Design impacta o mercado ao possibilitar que técnicas e detalhes sejam utilizados para aproximar a comida, o público e as marcas.
Adotar esse processo criativo no seu negócio, com ações simples e práticas incorporadas à rotina de criatividade, possibilitará levar aos clientes mais do que uma comida saborosa. Também vai proporcionar um ambiente agradável, que transmite valores e preocupações capazes de fidelizá-los.
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