Entrevista - Eficiência Energética nas Empresas

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Sustentabilidade

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Entrevista - Eficiência Energética nas Empresas

Entenda o impacto das ações de eficiência energética nas empresas

Publicado em
29/05/2024 14:28

Tempo de
leitura: 14min

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Entenda o impacto das ações de eficiência energética nas empresas

Em tempos de crise hídrica e conta de luz nas alturas, uma das perguntas mais pertinentes para um pequeno e médio negócio é: quais são as medidas de eficiência energética necessárias para reduzir custos e melhorar a operação?

Confira agora algumas reflexões importantes em duas entrevistas exclusivas. Aprenda na prática com dicas de como garantir mais eficiência energética nas empresas.


 
 


 

Eficiência energética: pode onde começar?

Para responder a essa e a outras questões dentro desse tema, convidamos o executivo Jango Salgado, que preside uma entidade que implementou diversas ações nesse sentido. Ele comanda a Associação de Engenheiros e Arquitetos da cidade de Santos (AEAS), litoral do estado de São Paulo, e já sente os resultados na prática de tais medidas.

De início, a AEAS desenvolveu um trabalho de mapeamento de oportunidades de melhoria da eficiência energética na sede e identificou três conjuntos de iniciativas nesta área: mudança de hábitos de consumo, como, por exemplo, ajustar a temperatura do ar condicionado, desligar equipamentos na hora do almoço e fechar portas e janelas em salas com ar condicionado; ajustes construtivos de instalação de sensores de presença em áreas de circulação, instalação de interruptores independentes para as luzes próximas às janelas, colocação de brises nas janelas expostas ao sol e uso de pequenos toldos para proteger do sol as máquinas de ar condicionado; e, por fim, garantir que, quando equipamentos e lâmpadas forem substituídos, que sejam utilizados apenas itens com selo nível A do Procel.

O presidente da entidade conta que, dentro do contexto do programa de sustentabilidade da AEAS, foram adotadas algumas frentes de trabalho, como a aquisição de energia solar por assinatura da empresa Sun Mobi, o desenvolvimento de um programa de capacitação de associados e usuários da sede sobre a importância do uso sustentável de energia elétrica e o próprio mapeamento de oportunidades de melhoria de eficiência energética.

“Para manter as dicas sempre à mão do público interno e externo, desenvolvemos uma cartilha com dicas de uso consciente de energia e espalhamos lembretes na sede reforçando a importância de se desligar a luz, o ar-condicionado e os equipamentos eletrônicos quando não estiverem em uso”, explica Salgado.

Resultado das ações de eficiência energética nas empresas

Como resultado das ações de eficiência energética, a entidade já prevê a redução de 20% a 30% do consumo neste ano em comparação com 2020. “Ainda, por conta do uso da energia solar, a AEAS evitou a emissão de aproximadamente 21 toneladas de CO2, o que equivale a uma área de 760 m2 de áreas plantadas ou a emissão de um carro rodando 82 mil km (quase 2 voltas na Terra)”, comenta.

O executivo lembra, todavia, que o programa de eficiência energética não tem como objetivo reduzir o conforto das pessoas, fazendo-as passar calor com o desligamento do ar-condicionado. “Na verdade, o que se busca é eliminar o desperdício com práticas de consumo verdadeiramente sustentáveis”, conclui Salgado.

Eficiência energética e energia solar: qual a relação?

A adoção de medidas de eficiência energética são premissas básicas para a implementação da energia solar fotovoltaica bem sucedida, seja em um sistema próprio de geração ou seja por meio da contratação de uma usina remota (assinatura). Afinal, aspectos comportamentais e planos de ação de curto e médio prazos aumentam a viabilidade e orientam a ter um sistema fotovoltaico dimensionado de acordo com a real necessidade de um pequeno negócio.

Para falar sobre esse tema, o convidado é Alexandre Bueno, da Sun Mobi, empresa que fornece serviços de assinatura de energia solar para pequenos e médios negócios. Segundo ele, em um cenário de escassez de energia e alto custo de produção, a Geração Distribuída (GD) a partir da fonte solar surge como alternativa para as pequenas e médias empresas brasileiras obterem maior eficiência energética em seus processos produtivos, bem como mais segurança de suprimento e mais competitividade no negócio a partir da redução de custos operacionais vinculados à conta de luz.

“A principal característica da GD é ter a geração elétrica dentro da rede da distribuidora local que aquela unidade consumidora se encontra, incluindo um sistema próprio de geração de energia ou a contratação de um plano de fornecimento elétrico de uma central fotovoltaica”, explica.

O consumidor-gerador é a base da GD no Brasil. Após ter descontado o seu próprio uso, este recebe um crédito na sua conta pelo saldo positivo de energia gerada e inserida na rede (sistema de compensação de energia). Dessa forma, sempre que existir esse saldo positivo, o consumidor recebe um crédito em energia (em kWh) na próxima fatura e terá até 60 meses para utilizá-lo.

De acordo com Bueno, quando um cidadão ou uma empresa decide instalar por conta própria um sistema solar fotovoltaico, esse consumidor passa a gerar sua própria energia. “Portanto, ele beneficia a si próprio, colabora com os outros consumidores colocando energia elétrica junto à carga e desonera o sistema energético como um todo”, comenta.

“Além disso, a GD tem vantagens de longo prazo, pois economiza investimentos em transmissão e reduz as perdas nestes sistemas de distribuição, melhorando a estabilidade do serviço de energia elétrica”, acrescenta o especialista.

Monitoramento dos equipamentos

Muitas empresas oferecem tecnologias capazes de ampliar a eficiência energética. Tais equipamentos, como aplicativos e dispositivos conectados no painel de força, possuem um dispositivo de inteligência artificial com a finalidade de monitorar em tempo real o consumo de eletricidade do local, seja de uma empresa ou de uma residência.

Esses aparelhos também são oferecidos sem custo pela Sun Mobi aos assinantes – eles acompanham o gasto de eletricidade e emitem alertas quando há ocorrências de pico de consumo dos aparelhos elétricos, além de gerarem relatórios com informações sobre o comportamento do usuário em relação gastos de energia dos equipamentos, justamente para auxiliar e conscientizar o consumidor para evitar desperdícios e reduzir o gasto.

O equipamento é um sensor instalado no quadro de luz do cliente. A Sun Mobi oferece monitoramento do consumo para todos os seus assinantes. Aqueles que ocupam edificações menores, com gasto de até 1.000 kWh por mês, recebem um display de mesa que traz informações instantâneas sobre o consumo. Já para os clientes de maior porte, o monitoramento é feito de forma online via aplicativo.

Segundo análise dos dados nos clientes da Sun Mobi, o uso da energia solar via assinatura integrado com a tecnologia de monitoramento pode reduzir a conta de luz dos consumidores em cerca de 15%.

Nos estabelecimentos comerciais, os relatórios apontam como os maiores vilões no gasto com energia o ar-condicionado, forno elétrico, geladeira e freezer. Já nas residências, a atenção deve se voltar para o chuveiro e forno elétrico, ferro de passar, ar-condicionado, geladeiras e bombas de piscina.

“Mais da metade dos nossos clientes já tomou medidas de redução de consumo. Na prática, o uso da energia solar e do nosso dispositivo de monitoramento reflete uma grande medida de eficiência energética implementada nas residências, comércios, indústrias e propriedades”, explica Alexandre Bueno, sócio-diretor da Sun Mobi.

Celeridade

As mudanças climáticas vêm transformando os paradigmas de operação do setor elétrico nacional, cada vez mais dependente de usinas termelétricas a gás, caras e poluentes. Neste contexto, a GD é mais uma forma de mitigar os riscos de apagão e de racionamento e de “limpar” e tornar mais sustentável a matriz elétrica brasileira, hoje impactada pela falta de água nos reservatórios das hidrelétricas e acionamento em massa das termelétricas, caras e poluentes.

“Ao contrário de hidrelétricas e termelétricas, cujos projetos de construção e de operação costumam ser públicos e demandam muito tempo para começar a oferecer energia para a rede, os projetos de GD são majoritariamente privados, realizados pelos próprios cidadãos e ficam prontos rapidamente. Segundo dados da ANEEL, o Brasil possui atualmente cerca de 800 mil pequenas usinas fotovoltaicas instaladas em residências, comércios, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos”, explica Bueno.

Esses micro e minigeradores são capazes de abastecer residências, comércios e indústrias próximos ao centro de carga, e podem ter até uma injeção de carga na rede de até 5 megawatts (MW) de potência. Tais projetos e construções não dependem de concessões, e suas permissões ou autorizações governamentais são, em geral, realizadas por meio de um processo simplificado.

Evolução

A GD representa para a energia elétrica a mesma inovação propiciada pelo celular junto à telefonia fixa: uma oportunidade de escolher sua fonte de energia e ser protagonista em um setor onde, até há alguns anos, o planejamento era 100% centralizado e estatal, assim como os projetos de geração eram inacessíveis para investidores de pequeno porte.

Nesse sentido, as tecnologias de GD têm evoluído para incluir potências cada vez menores. Incluem co-geradores, geradores que usam como fonte de energia resíduos combustíveis de processo, geradores de emergência; geradores para operação no horário de ponta; painéis fotovoltaicos e Pequenas Centrais Hidrelétricas – PCHs, entre outras possibilidades.

Oportunidades para as empresas

Os modelos de GD, alguns advindos de inovações propiciadas pela regulação da Aneel, têm muito potencial. O modelo local sempre será atrativo, pois muitos consumidores desejam ter seu próprio sistema. No entanto, 75% das edificações não podem ter painéis em função de aspectos técnicos (irradiação, sombreamento, área disponível) e até ao custo do equipamento. Nesse sentido, a Geração Compartilhada é uma das modalidades da Geração Distribuída, criada pela ANEEL na Resolução Normativa 687/2015 e responsável por possibilitar o compartilhamento de energia de micro ou minigeração entre um grupo de pessoas (CPF ou CNPJ) que estejam na mesma área de concessão ou permissão. Trata-se de uma modalidade que tem crescido no País, justamente pela característica de facilitar o acesso aos consumidores. É conhecida também como "energia solar por assinatura".

Para os próximos anos, a tendência de adoção da GD será cada vez maior, sobretudo na questão de eficiência energética. “Como toda tecnologia disruptiva, conforme o mercado cresce e os equipamentos ganham escala, os preços são barateados. Essa revolução tecnológica já ocorreu com o telefone celular e já está acontecendo com os equipamentos de geração solar. Desde 2016, os preços dos sistemas têm caído em média 11% ao ano. Hoje mais da metade dos novos sistemas já estão sendo adquiridos por pessoas de menor poder aquisitivo. O mercado está se popularizando para a Geração Distribuída”, aponta Bueno.


Dicas de eficiência energética nas empresas

Antes de contratar energia proveniente de GD ou instalar um sistema próprio de geração, a recomendação aos empreendedores e demais consumidores é checar a idoneidade do fornecedor com outras empresas já clientes do serviço. Também é primordial detalhar as propostas e contratos, observando se o valor das tarifas das distribuidoras não está exagerado ou se a geração do sistema está superdimensionada, isto é, com oferta superior à real.

Outro cuidado a ser adotado é o de observar as garantias dadas pelo fornecedor tanto na parte civil como elétrica, assim como assegurar que a conexão com a rede da distribuidora seja realizada no prazo e qualidade combinados. Por fim, outro cuidado imprescindível é acompanhar a evolução da fatura de energia e a geração do painel para assegurar que os créditos venham de forma correta na conta de luz.

Agora que você já sabe o que é a eficiência energética e seu papel nas empresas, se ainda houver alguma dúvida fale com um dos nossos especialistas no Atendimento Online, ligue para nossa Central de Atendimento no telefone 0800 570 0800 ou visite o Ponto de Atendimento mais próximo. Conte com o Sebrae!

Publicado em 29/05/2024 14:28

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